03 maio 2011

Istituto Italiano di Cultura di San Paolo, convida!

Clicando no título, Civitella del Tronto- Meraviglie!

Risoto de nozes com gorgonzola


Ingredientes
-1/2kg de arroz arbório ou carnarolli
-1 copo de vinho branco seco
-200g de manteiga
-1/2 xícara de azeite extra virgem
-2 litros de caldo de carne
-500g de queijo gorgonzola
-1 xícara de nozes picadas
-1 xícara de passas brancas
-500ml de creme de leite fresco
-2 xícaras de queijo parmesão ralado
-1 cebola muito bem picada
Modo de fazer
-Inicialmente prepare o caldo: coloque os 2 litros de água fervente e dissolva os cubos de caldo de carne. Reserve, mantendo aquecido.
-Refogue a cebola picada na metade da manteiga e no azeite. (O azeite impede que a manteiga queime).
-Quando estiver translúcida, acrescente o arroz e refogue para que os grãos possam absorver toda a gordura.
-Acrescente o vinho branco e refogue mais um pouco.
-Junte as passas brancas, deixe inchar um pouco e em seguida as nozes, mexendo tudo.
-Com a ajuda de uma concha, despeje um terço do caldo reservado e deixe cozinhar em panela sem tampa.
-Acrescente o resto do caldo e deixe cozinhar até obter o ponto desejado do arroz.
-Quando estiver quase seco, acrescente o queijo gorgonzola esmigalhado, o creme de leite e o restante da manteiga gelada (para dar brilho).
-Por último, junte o parmesão ralado, mexendo mais vigorosamente.
  Sirva quente. Rendimento: 12 a 15 porções. Tempo de preparo: 40 minutos
Recebi esta receita da produção do ator & chef de cozinha Rodolfo Bottino, é uma de suas deliciosas criações, Rodolfo prepara suas receitas espetaculares durante pocket shows.
Foto; Ermida de Santo Onofre na transcendental Abruzzo / Itália.
Clicando no título,  a beleza de Abruzzo

O Coelho Preto

Ao visitar Dublin, um fazendeiro ganhou de presente um casal de coelhos. Levou-os para casa numa cesta e passou-os à caseira para que cuidasse deles. Ela não gostava de bichos e só os aceitou por razões de cortesia. Resmungou e sugeriu que o melhor era dar cabo deles, ou vendê-los, porque era sabido que coelhos se multiplicam muito rapidamente e acabariam se transformando em uma amolação. Mas seu patrão lhe disse que de forma alguma podia dispor deles, visto tê-los ganho de presente. A caseira não teve outro jeito, a não ser levá-los para o depósito de combustivel que ficava no fundo da horta da cozinha. Os coelhinhos eram muito novos e ainda pouco desenvolvidos. Um era branco puro. O outro, negro como carvão. Quando foram postos no depósito, correram para um canto e meteram um a cabeça sob a barriga do outro, aterrorizados pelo lugar desconhecido. A caseira mandou um menino trazer algumas folhas de couve. As folhas foram jogads perto dos coelhos e o depósito foi trancado quando chegou a noite. Na manhã seguinte, quando foi aberto, o coelho branco havia desaparecido.  Achando um vão entre a paredede tábuas e o chão, abriu com as patas um buraco e ganhou sua liberdade. Havia bosques nas proximidades e provavelmente ele fora para lá. Não fizeram tentativas para recapturá-lo e a caseria se sentiu muito feliz, pois agora era impossível ao coelho sozinho multiplicar-se por conta própria. Proibiu que se fechasse o buraco, na esperança que o coelho preto acabasse por seguir sua camarada branca. Contudo, o coelho preto não fugiu. Ou perdera o instinto de liberdade, ou era esperto demais para compreender que se achava mais seguro no depósito do que nos bosques, onde seria presa de cachorros, doninhas e caçadores. Embora o buraco continuasse aberto, ele jamais sequer meteu a cabeça nele. Por outro lado, pintou e bordou na horta e mordiscava tudo o que crescia por ali. Ninguém se metia com ele, e a caseira dizia que o prejudicado seria o patrão, se o bicho daninho não deixasse sequer um talo de aipo para a mesa. Com isso, em pouco tempo o coelho preto se tornou enorme. Cresceu até ficar maior que o maior gato Maux. Tinha nas costas uma pelagem negra lustrosa suficiente para se fazer um tapete de quarto. Tinha dentes como navalhas e orelhas tão compridas como as de uma lebre. O velho fazendeiro costumava levar seus visitantes à janela que dava para a horta para que vissem que interessante coelho monstro que ganhara de presente. A caseira passou a se sentir aterrorizada pelo animal, dizia que ele não era natural e acabaria por trazer desgaraça à propriedade. Pois ele manifestava uma precocidade extravagante. Os coelhos são talvez o mais inofensivo e tímido dos animais, mas esse camarada desenvolvera uma personalidade surpreendente. Comparado a um galo ou um cachorro, não tinha nada de estranho, mas comparado a outro exemplares de sua espécie, era, indubitavelmente, uma brincadeira da natureza, uma curva súbita e inesperada em direção à perfeição de um intelecto divino; de fato, como o primeiro macaco inspirado por uma visão de humanidade. E assim como todas as coisas que subitamente se mostram diferentes e mais belas que a turba inspiram medo e ódio aos ignorantes, esse belo e inteligente coelho se tornou odiado pela caseira. O verão estava chegando ao seu fim antes que o coelho alcançasse seu tamanho completo, mas já começara a fazer artes. Até então, havia se divertido de forma comum, alimentando-se assiduamente, enchendo-se e aparecendo entre as plantas, dando cambalhotas no campinzal quando o sol estava quente, sentando-se sobre as patas traseiras e boxeando com as dianteiras contra o vento. Fingia tornar-se invisível, achatando-se contra o chão, deitado de lado, com as pernas esticadas como se estivesse morto. Quando as borboletas começavam a aparecer, ele inventou um novo brinquedo. aprendera esse brinquedo com o pequeno poodle que a caseira deixara solto no quintal com intenções malignas.  O dono não admitia animais domésticos de nenhuma espécie dentro de casa e seus cães de caça eram mantidos acorrentados em outro quintal. A caseira convidou entretanto um amigo a visitá-la, e esse amigo tinha um poodle. Puseram o poodle no quintal com o coelho, na expectativa de que ele atacasse e matasse o coelho ou, pelo menos, o expulsasse para os bosques. Mas quando o poodle viu o enorme coelho, ficou com medo e começou a bufar. O coelho saltou para perto dele, de pura curiosidade. O cão começou a recuar bufando. De repente, o coelho começou também a bufar e avançou para o poodle.  O cão fugiu ganhindo. Depois disso, o coelho aprendeu a bufar e se divertia perseguindo borboletas e bufando contra elas. Ele se escondia sob uma folha de repolho até que uma borboleta se aproximasse. Então dava um salto e bufava. A borboleta voava para longe. O coelho tronou-se mais atrevido e complexo em suas atividades. Passou a se divertir com uma franga obesa atacada por uma doeça que a fazia se parecer com um  peru. Tinha pernas extremamente compridas e um corpo gordo e arredondado quase sem penugem por baixo. Ficava geralmente de olhos fechados e só acordava para comer o que lhe fosse dado. Não podia nem ciscar nem bicar o chão em busca de comida como uma galinha comum. O coelho descobriu um jeito de aterrorizar esta franga, tornando sua vida miserável. Aproximava-se silenciosamente por trás até meter-se entre suas pernas. Então fungava e dava um salto para cima. A franga gritava e saia às voltas pelo quintal correndo, de asas penduradas. Encorajado por esse sucesso, passou a aterrorizar tudo o que encontrava pelo caminho.  Um dia, quando a caseira estava colhendo flores para a mesa do patrão, meteu-se sob suas saias, bufou nela também. Ela deu um grito e um pulo. a pique de desmaiar de medo e vergonha pela indelicadeza da ocorrência, viu o coelho se escafedendo em direção ao depósito.  Então jurou pelas Sagradas Escrituras que patrão ou não patrão, presente ou ausente, daria cabo do bicho daninho. Essa região do país era notória por seus gatos. Disficilmente se encontra nesse distrito um gato doméstico. Se nele aparece um novo gato, logo se torna selvagem. Pois os bosques da vizinhança estão cheios de gatos meio selvagense, quando aparece um novo exemplar de sua espécie, eles cercam a casa miando até que o recém chegado se junte à eles. No verão raramente visistam residências, pois a caça abunda nos bosques. No inverno se mostram quase domesticados, pois se são aceitos, vivem em volta das casas das casas destruindo ratos e camundongos. A caseira se fez amiga de um desses gatos andejos e tentou induzi-lo, por ofertas de comida, a permanecer na cozinha. Mas como se estava apenas no começo do outono, o gato ficava apenas por uma hora ou pouco mais diariamente e sumia de novo. Bebia o leite que lhe era oferecido, se aquecia na lareira e sumia de novo. Contudo, um dia em que ele estava lambendo o leite no chão da cosinha, o coelho preto apareceu, aos pulos. Ele viu o gato. O gato levantou a cabeça e viu o coelho. Olharam um para o outro. O gato era cinzento, com listas esbranquiçadas em volta do corpo. Era muito feio e feroz e tinha manchas de lama seca, como remendos, pendentes da pelugem comprida e imunda. Seus olhos eram velozes como os de um criminoso fugindo de uma perseguição. Ele parecia absolutamente maligno.  O coelho inspecinou-o de início distraidamente e, descobrindo  que ele estava com medo, decidiu pregar-lhe uma peça. Começou a saltar vagarosamente em diureção ao gato. O gato baixou o corpo. À medida que o coelho se aproximava, o gato se baixava mais, até ficar achatado ao solo. Subitamente, enrolou-se como uma bola. Seus pelos eriçados e ele abriu suas fauces vermelhas. O coelho não se amadrontou e continou saltando em sua direção até que, dando um ronco, saltou sobre o gato. O gato gritou e saltou para o ar. No ar deu uma volta e disparou para a porta, desaparecendo imediatamente. O coelho voltou a roncare, brincalhonamente, saiu correndo atrás dele. Durante o dia não se teve mais notícia do gato. Caiu a noite. O coelho recolheu-se ao depósito e o depósito foi fechado como todas as noites. O coelho se enrolou e começou a dormir em sua cama de palha. Ouviu-se então nos bosques próximos um grande barulho de miados. O barulho ia e vinha, crescendo e diminuindo, como ruídos discordantes de uma orquestra tocada por loucos. Estranhas luzes apareciam entre as árvores na escuridão, como fosforecências na superfície do mar à noite. Gradualmente os guinchos lamuriantes foram se juntando e aproximando até se converterem em um só berro pungente. Então pararam e reinou um silêncio completo. Uma fileira de infernais luzes errantes saiu dos bosques, duas a duas, oscilando como luzes de velas em uma procissão de fadas. elas avançavam, paravam e tornavam a avançar até chegar ao depósito onde o coelho dormia. Aí formaram um círculo e se imobilizarm. As luzes eram os olhos dos gatos. Um exército de gatos havia acampado em volta do depósito. Ali permaneceram quietos por algum tempo, sem emitir som algum. Então um gato avançou silenciosamente para o buraco da parede. Olhou para trás para seus companheiros. Enfiou a cabeça no buraco três vezes. Voltou a olhar seus companheiros. Podia se ouvir o som leve de um ronco baixo, melancólico e distante, e todos os gatos se ondularam agitando seus corpos. O gato líder mergulhou no buraco desaparecendo no depósito. Um a um, silenciosamente como fantasmas, os outros gatos fizeram o mesmo, até que todos entraram no depósito. Po rum momento, reinou um silêncio mortal. Ouviu-se então um grande grito, o berro de um coelho apavorado, seguido por um ruído de coisa rasgada. Depois o silêncio reinou novamente. O silêncio foi quebrado por uma ladainha melancólica que se elevou na noite, com um tom maligno e desesperado, misturado ao som rascante de carnes sendo rasgadas. Pela manhã, quando a caseira abriu aporta do depósito, viu os gatos sentados rodeando a pele esvaziada do coelho.
Seus olhos vidrados a contemplaram sem medo algum.
Antologia do conto irlandês organizado por Munira Mutran, O MUNDO E SUAS CRIATURAS - O Coelho Preto, autor Lian O'Flaberty, Associação Editorial Humanitas. 
Clique no título para ver como o tempo corre.

29 abril 2011

Audioteca Sal e Luz, por Cristiane Blume

A Audioteca Sal e Luz corre o risco de acabar. A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que produz e empresta livros falados (audiolivros), que são livros especiais para cegos e deficientes visuais (inclusive os com dificuldade de visão pela idade avançada), de forma totalmente gratuita. O acervo da Audioteca conta com mais de 2.700 títulos, entre  literatura em geral, textos religiosos, e textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3. Contibua com a Audioteca divulgando!!! Se você conhece algum cego ou deficiente visual, fale do nosso trabalho. Para ter acesso ao nosso acervo, basta se associar na nossa sede, que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125 - Centro. RJ. Não precisa ser morador do Rio de Janeiro. Criou-se uma opção, face à dificuldade de locomoção dos deficientes na nossa cidade. É possivel solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, e enviaremos gratuitamente pelos Correios. A nossa maior preocupação reside no fato que, apesar do governo estar ajudando, é preciso apresentar resultados. Precisamos atingir um número significativo de associados, que contemplem o trabalho, senão ele irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da leitura. Só quem tem o prazer na leitura, sabe dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros...
Audioteca Sal e Luz. Rua Primeiro de Março, 125 - 7º
Andar. Centro - RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007
Horário de atendimento: 08:00 às 16:00 horas
http://audioteca.org.br/noticias.htm <http://audioteca.org.br/noticias.htm>

Na foto da Web, aqueodutos (2000ac) construídos pelos nabateus, em Al Patra, na Jordânia.
E clicando no título da postagem um exercício de imaginação de sabores.

27 abril 2011

Luz e Vida

...Se a estrela não deve estar muito afastada do lugar da vida, também não pode estar muito próxima, pois não preencheria as condições da vida, pelo menos tal como a reconhecemos na biosfera terrestre, Suponhamos que essas condições estejam preenchidas. Produz-se então, um fenómeno que já caracterizamos do ponto de vista energético. A vida retarda a degradação da energia, utilizando certas radiações da estrela para as transformar em potencial químico. Este potencial químico restitui a energia calorífica da estrela nos fenómenos da respiração, isto é, da oxidação. É na medida em que esses fenómenos ocorrem, que surgem a consciência e o pensamento, como se fossem liberados ao mesmo tempo que a energia cativa da estrela. A Vida - se pudermos tomar como medida o que ela é na Terra - é comparada aos fenómenos de fluorescência. A biosfera restitui ao Cosmos a luz que ela retirou de sua  estrela, o Sol.
Mas essa luz deve ser entendida em todos os sentidos, como se a luz intelectual fosse sempre a par com a outra. Convém, aqui, sermos prudentes nas conclusões e não escorregarmos nos declives das deduções  fáceis. Não se pode negar, em todo caso, que a ciência atribui à luz uma participação cada vez mais considerável e um papel preponderante, não só na elaboração da vida, mas ainda nos fenómenos químicos. Isso não quer dizer, de modo algum, que o pensamento apenas seja uma forma de  de energia luminosa e um produto, como o vitríolo e o açúcar, tal como proclamava Taine e, após ele, os sábios materialistas do seu tempo. Mas isso traz um argumento a favor das hipóteses enunciadas pelos antigos "sábios" e que a ciência oficial abandonou há muito tempo. A ciência materialista imaginava o mundo como um conjunto de forças cegas onde brilhava, por uma espécie de excepção absolutamente inexplicável, a inteligência do homem (a consciência de sua própria fraqueza, como indicava Pascal), animal perdido em um insignificante planeta de um canto qualquer do universo. Um famoso pensamento de Pascal -"Mas a vantagem que o universo tem sobre ele (o homem), o universo nada sabe" -era retomado por esses sábios par combater o seu espiritualismo e recebia a seguinte interpretação: "O universo não pode conhecer sua vantagem porque é incapaz de conhecer alguma coisa, já que nada mais tem além do físico, químico e mecânico". Os Sábios antigos teriam respondido a tais afirmações como Platão e Aristóteles replicaram a Anaxágoras, que comparava o Sol a uma pedra ardente. Eles responderiam que o Homem não está isolado no universo. Teriam sustentado, ao contrário das afirmações de Descartes, que os animais não são máquinas e teriam relacionado o espírito do homem ao universo por intermédio dos animais, das plantas, e até mesmo dos próprios minerais. Essa crença não concorda muito mais, afinal, com a doutrina da evolução? "Os astros, dizia o douto Paracelso, respiram sua alma luminosa e atraem as irradiações uns dos outros". "A alma da Terra, presa às leis fatais da gravitação, desprende-se, especializando-se e passa pelos instintos dos animais para chegar a inteligência do homem, A parte cativa dessa alma é muda, mas ela conserva por escrito os segredos da Natureza, a parte livre não pode ler essa escritura fatal sem perder, instantaneamente, a liberdade. Apenas se pode passar da contemplação muda e vegetativa ao pensamento vivo e livre com a mudança de meio e de órgãos. Daí resulta o esquecimento que acompanha o nascimento e as vagas reminicências de nossa intuições doentias sempre análogas às visões de nossos êxtases e de nosso sonhos". Encontra-se nesse texto, não apenas a doutrina da evolução da espécies, mais ainda a teoria do Inconsciente colectivo, tão cara aos psicanalistas, e mesmo uma primeira ideia dos arquétipos do Dr. Jung. Essa concepção do universo, por mais discutível que seja. é, em todo caso mil vezes menos absurda que a dos materialistas que acreditam totalmente na evolução e não encontravam nenhuma ligação válida entre a inteligência do homem e do universo.
Seria essa, provavelmente, a linguagem que que Paracelso teria adoptado em relação a tais sábios. E mesmo ao que Pascal afirmava -"o universo poderia esmagar-me, mas ele não sabe" -Paracelso teria replicado: "e você, o que é que sabe?"
O texto acima é parte do capítulo VI do livro A  LINGUAGEM DAS CORES de René-Lucien Rosseau, obra premiada pela Socité des Gens de lettres de France, em 1959 - Editora Pensamento.
Para um banho gostoso, clique no título.

26 abril 2011

Jã e a Super Lua Perigeu

Pode existir um planeta tão pequeno quanto uma das nossas cidades, pode ser que tenha um vulcão, e que sustente a vida de uma roseira com uma rosa, que é regada pelo Ronnie Von quando ele passa lá montado em sua estrela. Poderia este, ser um planetinha na orbita de uma anã-marrom? Negar a possibilidade é ordenar as galáxias pelo contexto de nosso entendimento, é agora, um bem tardio geocentrismo, se levamos em conta que os números ligados às possibilidades no estudo da astronomia sugerem que nossa mente é incapaz de formular suposições suficientes para conclusões seguras. Cenários limitados e linhas divisórias arbitrárias são empregadas até mesmo para definir o que é um planeta e o que é uma estrela anã. Há anos se estuda a formação das anãs-marrons tentando saber se sua formação inicia-se por ejeção ou turbulência. Eu torço por turbulência, cujos resultados são menos previsíveis. Gaël Cahuvin e seus colaboradores afirmam: Não há razões para que asteróides e cometas, e até mesmo planetas com a massa da Terra não possam se formar nos discos de poeira das anãs-marrons. E Gaël ajunta: Se existirem planetas em volta de anãs-marrons, orbitam um Sol que nada tem de solar. Que dizer sobre a vida nesses planetas? Como uma anã-marrom é muito mais fria que o Sol, a zona habitável a seu redor é muito pequena e próxima dela, e mesmo essa zona pequena deve diminuir conforme a anã esfria. Não falei? Espaço suficiente para uma rosa, um vulcão, e o campo de pouso para o Ronnie Von!

 No último dia 19, a lua cheia apareceu apresentando seu lado perigeu, numa posição que só é visível da Terra a cada dezoito anos. Parece maior,  pois está cinqüenta km mais próximo da Terra. O Jã promove mensalmente, na entrada da lua cheia, encontros de estudos das Ciências Humanas, o palestrante convidado da super lua perigeu, foi o estudante de Física da Unicamp, Francisco Oliva Oliveira, que seguro, recriou verbalmente o Universo segundo as últimas descobertas. O Jã é um espaço nobre voltado para a cultura e suas expressões, o projeto é idealizado e desenvolvido por Patrícia Mattar Oliva. O Jã Espaço das Humanidades - conforme denominou a atriz Eva Wilma em 2010 quando foi a convidada especial, e ali recitou um monólogo inspirado em Um Bonde Chamado Desejo - tem como produtor e mestre de cerimônias o ator Julian Lepick, que também é responsável pelo Festival de Curtas que o Espaço promove no mês de Maio, que está em sua terceira edição  (inscrições abertas até o dia 30 de abril). No encontro da lua em perigeu, o Físico Francisco Oliva Oliveira, discorreu sobre teorias da origem do universo, decompôs o tempo e o espaço, falou sobre a imprecindível observação dos astros para sobrevivência e evolução da humanidade, da necessidade de  marcar o tempo pela passagem das estações e variações da luz lunar, falou sobre os estudos das constelações desde a antiga Mesopotâmia, Índia e China, conduziu-nos a uma longa e duradoura viagem em uma reunião que começou as 19:00h de sábado, e foi até... estou nela até agora. Discorreu sobre os conflitos entre Religião e Ciência, sobre as teorias de Descartes traçando eixos para medição do tempo/espaço, do desenvolvimento de novos aparelhos para observação, que ao ampliarem as fronteiras também multiplicaram as interrogações. Todos participando, chovendo perguntas e Francisco lá, só falando...agora sobre a relatividade de Einstein, que esteve por tanto tempo apartada por milhões de giros da quântica, em função de não possibilitarem cenário possivel para cálculos e equações quando alinhadas, aproximações que inevitavelmente perdiam-se nos buracos negros. Pós modernos mais complascentes, percebemos que talvez as duas estejam corretas, mas não são encaixáveis...de fato... temos que reconhecer que a realidade pode ser menos dada a preto no branco do que aspiramos em nossas ordenações da "realidade", agora já conseguimos ouvir a voz desse Bichão, que não é o Bicho que o grupo Meninas do Conto interpreta e Malu Barros narra para a criançada. Pelo que o Francisco falou é um Bichão composto de bastonetes vibrantes, bastonetes menores que um elefante, menores que uma formiga, menores que um grão de pólen da rosa do Ronnie Von, são nanicos até em escala de partículas subatômicas...até...parece que nem existem! Enfim, Francisco não disse assim: é um Bichão, ele disse que na teoria das cordas existem satisfações e explicações, e me parece ter falado a palavra -assombro - que os estudiosos presumem por enquanto, que participamos de uma "realidade" composta de 26 por vinte e seis dimensões. O  Francisco, como Físico, que chame do que quiser, como contadora de história penso que se isso não é um Bichão...Santa Margarida!  E foi tal de quântica permeando  mente - como é natural - e big-bangs entrando nas roupas dos presentes, um bom tanto pelo rojão de estrelas que mestre Lepick soltou à traição no final da reunião, que de certeza mesmo, só a de que Francisco consegue trazer as teorias mais revolucionárias, de linguagem mais intrincadas, para o alcance dos leigos - pero atentos - apesar de em alguns momentos ele ter lançado olhares escuros de quem esteve nas alturas e foi puxado pelo pé por perguntas inacreditáveis, se formuladas em seu meio, mas de boa vontade retornava ao chão, e da Terra ia ao buraco negro e de lá, conosco a tiracolo, ao infinito e além. Patrícia mencionou o conhecimento das Tábuas de Esmeralda, escritos por Hermes Trimegisto, o Imhotep, durante a Dinastia do Faraó Djoser, no Egito. Imhotep foi o construtor das pirâmides, matemático, arquiteto e médico:  Assim como acima é abaixo, assim como abaixo é acima - principio da astrologia. E Francisco Oliva Oliveira  esteve na Lua Cheia do Jã; através de suas palavras subimos da terra para o Céu e descemos novamente a Terra, recolhemos a força das coisas superiores e inferiores. Sei de mim. Fotos:1- arquivo da net. 2 - O psicoterapeuta Nilo, a estudante de teologia, Margarida Oliva, Patrícia Mattar Oliva, e eu. O Jã fica na Rua João Moura 2360 - São Paulo.
Clique no título do post para encontrar o direito sagrado.

25 abril 2011

Coexistência Pacifica


A primeira universidade oficial foi a de Bolonha, surgiu em 1088, depois vieram a de Paris em 1150, a de Oxford em 1167 e mais tarde a universidade de medicina em Montpellier, em 1289. 
Na gravura acima, feita por Fouquet para as Horas de Étiene Chevalier, Tomás de Aquino (nascido em março de 1225), ministra aula. 
Tomás nasceu no castelo de Roca-Cica, em Nápoles, filho do Conde Landulfo e de Teodora D'Aquino, aos 18 anos, desgostou tremendamente os pais ao entrar para a ordem dos dominicanos como frade mendicante. 
A família não se conformou e ele era importunado no convento. Seus superiores mandaram-no para Paris, donde foi sequestrado pelos irmãos e trazido novamente para Nápoles, mantiveram-no prisioneiro por dois anos. Percebendo que o filho firmara-se no seu propósito, a mãe o libertou e ele partiu imediatamente para Paris e logo a seguir para Colônia (Alemanha), onde foi discípulo de Alberto Magnus, o maior filósofo e teólogo alemão da Idade Média, e defensor da coexistência pacífica entre ciência e religião. 
Os estudantes de Colônia prezavam mais que tudo os estudos filosóficos, e Tomás de Aquino, que foi  recebido inicialmente com o apelido de Boi Mudo, entrosou-se finalmente. Por sua sabedoria logo conquistou o respeito e admiração dos colegas. Lecionando em Paris entre 1250 e 1252 comentou o profeta Isaías e o evangelho de São Mateus. Em 1156, escreveu Suma Contra os Gentios, e em 1268, sua principal obra: Suma Teológica, também comentou Aristóteles, e escreveu O Ente e a Essência e Sobre as Falácias. 
Faleceu com 53 ano, a caminho de Lyon em março de 1274, ele viajava para participar do Concilio de Lyon a convite do Papa Gregório X. 
Naquele dia, na Alemanha, em Colônia, seu mestre, Alberto Magnus teve suas palavras registradas pelos frades que o acompanhavam: 
“O irmão Tomás de Aquino, meu filho em Cristo, luz da Igreja, morreu. Deus acaba de me revelar isto”.
Em seus escritos Tomás de Aquino tornou o homem o ponto de convergência de toda a criação, concluiu que nele se encerram, de certo modo, todas as coisas. Dele é a frase: “Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada”


Na foto autorizada: Uma aluna e sua professora, Brasil, São Paulo, Lapa, Entidade Assistencial Rogacionístas na semana passada, véspera de Páscoa. 
E sobre a criação da universidade? Leia Memória da Pedagogia /2, pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
Clicando no título da postagem vá à música de ninar de minhas crianças: Está ali em forma de protesto: nã na ná na naaaa nã nã nananá...clique lá que fica melhor. 
O link anterior, aqui: http://youtu.be/QqecepvxVrc

20 abril 2011

Macela - LEI: 11.858

A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, no dia cinco de dezembro de 2002, instituiu através do projeto de lei 22401 (de autoria da deputada Jussara Cony), a Achiroclyne Satureioides, vulgarmente conhecida como macela, como a Planta Medicinal Símbolo do RS.
A planta produz uma florzinha amarela em formato de sol, que os Tupis-Guaranis chamavam de eloyatei-caá.
Na Semana Santa, as pessoas, especialmente grupos de jovens, saem antes do nascer do sol para a colheita dos buquês da planta cujo pé pode chegar à um metro de altura. Acontecem concursos de buquês, e quem encontrar mais do que usa durante o ano, fragmenta sua colheita em pequenos maços para distribuir aos parentes e amigos.
A florzinha amarela, na época da páscoa está seca e exala aroma característico e sedativo.
O chá das fofas flores cura dores da cabeça aos pés. Veja bem: não há o que não cure!
É bom para disfunções gástricas e digestivas e serve como analgésico, o chá é bom para o fígado, colites, inapetência, disenteria, distúrbios menstruais, náuseas, vesícula, vômitos, é sedativo e ajuda até na diminuição do colesterol e agregação plaquetária. 
Minha vó preparava uma xícara bem quente e forte da infusão e me dava com gemada antes de dormir, isso provavelmente não é bom para o colesterol, mas  que sonhos bons eu tinha!
O chá de macela frio também pode ser usado para dar brilho nos cabelos louros.
O dia correto para a colheita é a Sexta-feira da Paixão, tem que ser de madrugadinha.
Quem quiser dormir com os anjos, que faça um travesseiro de macela e me conte depois, se não desperta faceiro que nem recém nascido depois do banho, não é cura garantida para os nervosos mais enlouquecidos, mas nesse caso, o quê é?
A macela é encontrada na América Austral, e abunda naturalmente no Paraguai, Uruguai, no Brasil predominando na Região Sul, mais nas faixas de solos arenosos e basálticos, mas pode também ser encontrada em algumas cidades dos estados de São Paulo e Minas Gerais.

E clicando no titulo da postagem - O Som.

17 abril 2011

Oferendas Maravilhosas




A Virada Cultural do Centro de Cultura Judaica é gostosa e substanciosa como o kifle de nozes servido pelo Gerstein Café, é uma confraternização universal onde a família particular circula livre e alegremente. Lá, até a madeira das paredes conta do bom gosto e persistência do povo que por muito tempo teve um livro como pátria - e ponto, nada mais a dizer de natureza tão perseverante e dada à cultura das artes, tradicional na erudição. E ponto, escrevi, mas... cheguei agora da apresentação da peça teatral Réquiem, ainda embriagada de poesia insisto, redundo,  compartilho. Réquiem conta a história de um fabricante de caixões que pesa os lucros e prejuízos da vida de forma extremamente lírica, o espetáculo ondula e vamos ao topo, escorregamos na curva, e eis que a visão da enfermagem pode indicar conforto, mas quem deve curar, fala sempre a mesma coisa, é porque o remédio também é igual para todos. O texto delicioso, delicado, ás vezes agressivo é do israelense  Hanoch Levin, e Réquiem, que já  foi encenado em três temporadas e apresentado de forma itinerante, é dirigido por Francisco Medeiros e  produzido e realizado por Dinah Feldman e Priscila Herrerias, sobre o espetáculo ganhador do Concurso CCJ de Montagem Teatral em 2007, o diretor declara: As intenções de Hanoch Levin ficam claras já na apresentação dos personagens. Ninguém tem nome, portanto,  as trajetórias não serão descritas a partir de individualidades, Velho, Velha, Cocheiro, Mãe, Bêbados e Prostitutas são antes de tudo arquétipos a serviço da tradução poética do autor de uma imagem fundante: o homem confrontado com os mistérios da existência. Amanhã às 16:00h, mestre Viviam Vineyard, a coordenadora de artes cênicas do CCJ estará orientando uma dinâmica - Jogos Teatrais, é só chegar e degustar, para o curso regular que Vivian ministra para adultos, ainda tem algumas vagas, inscreva-se ontem! Estou frequentando, Vivian é master, é must é mestre. Também amanhã à tarde haverá nova apresentação de Réquiem, é preciso retirar o ingresso com uma hora de antecedência. Todas as atividades da Virada são gratuitas, Requiém começa às 18:00h. Hoje, no final da tarde aconteceu o VI Encontro de Contadores de História do Centro de Cultura Judaica, o espaço estava lotado de satisfeitos espectadores dos encantadores do cotidiano, a top contadora Ana Luisa Laconbe foi a mestre de cerimônia  e abriu os encantamentos, os serelepes Cesar Obeid e Renata Perez, em forma de cordel narraram o último livro de autoria dele, Priscila Harder e Juliana Offenbecker. Fernanda Viacara e Dinah Fildman apareceram com cobras engolidoras de sóis e Mandis plantadas nas ocas virando mandiocas, homenageando o dia do índio que já vem vindo, pinta quando o calendário mostrar dezenove deste abril, disso eu sei, eu penso que sim, pois não? E então, para arrematar o bordado fascinante, Kiara Terra, com suas duzentas mãos nos conduziu a não sei onde, não sei porque, só sei que levei meu travesseiro, todos levaram, alguns o molharam na travessia de um  rio e outros nem atravessaram, é porque a história que ela conta é aberta, tu escolhes o rumo, só sei que foi bom, e foi Kiara que encerrou a apresentação dos gnomos e fadas golens, lobisomens e Velhas Certezas com travesseiro na mão. Foto, com minha colega de contação de história do Era Uma Vez, a Marlene Krok, após assistirmos Réquiem.
Clique no título do post para ver Kiara falando sobre sustentabilidade.

13 abril 2011

Renée El Ammar

 
Escrevi hoje, contando a um amigo sobre uma grande amiga: 
"Encanta-me em Renée, que apesar de viver em um meio dado a superficialidades, não  perca o contato e o interesse pelos questionamentos existenciais. Ela demonstra profundo entendimento emocional pelos homens, suas necessidades e aptidões, característica que tem feito com que assuma a liderança onde quer que esteja, creio que esta tendência é valorizada pela forte ligação, apoio e estimulo que recebe da mãe e irmãos. Vem de uma família de construtores humanistas, libaneses pacifistas e eruditos, que onde põem a mão, fazem crescer.  
Na época em que a conheci, ela havia retornado de uma viagem aos países árabes que incluiu uma turnê pelo Líbano, seu berço familiar. 
Recebi sua visita em minha exposição, manifestou o desejo de ter um retrato seu pintado à óleo. Depois que a exposição terminou, numa tarde sua secretária, Ivete, me ligou pedindo que eu fosse até a casa dela, Renée queria encomendar algo. Falamos sobre o retrato, logo acordamos que seria junto aos objetos tradicionais de sua cultura que faziam a decoração de seu belo apartamento, ela mesma uma beleza exótica. Frisou:" Este é o único retrato que pretendo fazer, estou numa uma boa fase, gostei do teu trabalho da ultima Expo e quero eternizar meu momento, porém, veja lá, sou muito exigente, quem trabalha comigo sabe." 
Eu sabia, todos sabiam quem era Renée; formadora de opinião e respeitada quase ao temor na cidade - ótimo- desafio. 
 Depois que lhe entreguei a obra, entusiasmada tornou-se minha marchand. 
Uma boa amiga que me introduziu no bom gosto das festas regadas a culinária típica àrabe e a seriedade carinhosa de sua familia , a família  El Ammar, onde sempre ouvi palavras elogiosas pela minha gana por manter também a minha família unida. 
Com ela conheci a elite das artes de Porto Alegre, ligada a moda. 
Renée El Ammar, estilista, empresária e Relações Públicas por formação, chegou do Líbano quando criança juntamente com os irmãos e os pais. Fixaram-se no Noroeste do estado do Rio Grande do Sul, e junto a mais de uma dezena de outras etnias da peculiar cidade, ajudaram a construir a riqueza da punjante Ijuí - A Colméia do Trabalho.  
Do comércio de tecidos do pai, o senhor Salin, consolidou-se a estruturada familia que inclui médicos e empresários, expoentes da sociedade, fortemente ligadas a cultura, o intercâmbio e a difusão dela, são pilares da comunidade regional.

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