31 janeiro 2010

Lançamento do livro Universo Paulistano -Volume ll

Panorâmica da festa de lançamento - Chamas ardentes e extintores ao fundo.

A artista plástica Lenora Porto Telles, acompanhada por Dadgi, o amigo gemólogo que no próximo mês no Rio de Janeiro lançará um livro de poesias em que emprega analogias sobre gemas e musas, e pela mãe, a dinâmica Aldenoura de Sá Porto, advogada aposentada e escritora consagrada, autora de diversos livros, conhecida ativista política defensora dos direitos da mulher, co-autora de “Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver”, obra mundialmente conhecida e produzida pelo artista José Mujica Marin, o Zé do Caixão.  Aldenoura é autora dentre outros, do romance O Grito de Augusto, pelo qual recebeu em 1966, o Prêmio Nacional Clube do Livro
Em sua bagagem política consta inclusive uma pré candidatura a Presidência da República, que só não se efetivou por problemas de registro do partido. 
Além de ter prestigiado o lançamento, Lenora presenteou-me com uma de suas inspiradas obras, uma belíssima e exclusiva aquarela sobre cartão em tons de azul e lilás.
Uma das autoras da coletânea: Aglaé Torres, com seu vestido combinando com os olhos, brilhande que é sábado, recebendo cumprimentos e sendo clicada
Com o editor do Universo Paulistano ll, Edson Rossatto.
E no título da postagem, o alfabeto em hebraico

Universo Paulistano - Primeira publicação em livro

Dedicatória em versinho para a escultora Mariangela Ratto, companheira de exposição na França.
Recebendo bombons mais que bons da Planet Chokolate, e o carinho especial da Maria Alzira Pereira Soares, na tarde do lançamento do livro Universo Paulistano.

E clicando aqui, ou no título, veja de onde veio o sapato azul cerúleo que usei neste dia: http://youtu.be/KuOr_1mkJBo

Auxerre

PARIS (Reuters) - O Auxerre fez um bom negócio neste domingo ao bater por 1 x 0 um Saint-Etienne, ainda em grande perigo, e se alçou à quinta colocação da liga francesa.  O Auxerre foi bastante maltratado pelo Etienne, ansioso para se distanciar da zona de rebaixamento antes de encontrar uma abertura aos 33 minutos do segundo tempo, graças a uma cabeçada de Jean-Pascal Mignot aproveitando um escanteio.  
     O jogo do Saint-Etienne progrediu visivelmente, mas permanece na 17° colocação e ameaçado de rebaixamento.  O Valenciennes e o Sochaux fizeram um empate com um gol para cada lado que não ajuda nenhuma das equipes, respectivamente em 11 e 13 lugares na tabela.  Johan Audel deu a vantagem ao Valenciennes aos 21 minutos, e Damien Perquis igualou para o Sochaux aos nove minutos da segunda etapa.
Fotos: No dia em que recebi meu mantô de torcedora do Auxerre, das mãos de Monsier Christian, o presidente da Cooperativa de Produtores de Vinho d'apelation e proprietário da
Champagne Marquis de Pomereuil, em uma recepção aos artistas brasileiros integrantes da temporada Basil/França, organizada pela Associação Brasil Sertão et Mer. 

A calorosa e inesquecível recepção aconteceu na cave da champanheria que fica em Riceys
A Champagne Marquis de Pomereuil foi o patrocinador do vernissagem da exposição em Pont Sainte Marie-Abril de 2010, e durante a confraternização, Monsieur Christian, sob o olhar da esposa, Madame Martine, dos artistas e empresários, explana e indica no mapa a localização das plantações, informando sobre as variedades de uva cultivadas e a abrangência da região produtora de champanhe.

Chico Anes

A árvore e os frutos, filhos e livros, Joseph e Camille Luar.
O escritor e organizador da coletânea Universo Paulistano, integrante da mesa redonda,formada por ele, Dra.Sonia Sueli Berti dos Santos e o ativista cultural Silvio Alexandre. Na foto feita por Reynaldo Bessa,Chico aparece entre autoras da coletânea no lançamento do livro.

Sábado Bom


Após ter recebido amigos na biblioteca Alceu Amoroso Lima para o lançamento do livro Universo Paulistano- Volume ll, ocorrido no último sábado, atravessei a Rua Henrique Schaumann, fazendo a dança do sirí,  surpreendendo o  cirurgião plástico Dr. Joséu Raule, o  médico colombiano radicado no Brasil, que passando com sua princesa em sua carruagem naquele momento, sorriu no sábado divertido. Ele, que sério inspirou-me a começar as pesquisas sobre Pachamama. 
No sábado divertido, perplexo ao ver uma pessoa de natureza compenetrada e culturalmente contida como eu, na Henrique Scauhmann, dando um passinho de sirí. 
É que após ter feito dedicatórias aos amigos no primeiro livro editado (e pela Andorss!), a gaúcha ficou num bom humor celestial. 
Deu para visitar a feira tradicional da Benedito Calixto, com Joseph e Camille a ver a nova - para nós - feira tradicional de São Paulo. 
Maravilhoso sábado de autógrafos e confraternização interestadual. Pois até conterrâneos chimarreando encontramos, observavam de ladinho a movimentação, perguntei ao que carregava a garrafa térmica embaixo do braço.
-Qual é tua procedência, piá?
-Uruguaiana, e tu?
-Ijuí!.
-Ah, conheço muito! Aceitas um mate, cevei agora, mas a erva é pura folha, está forte, não vá estranhar!
-Pura folha? Conheço muito!

E ali, na feira da Benedito Calixto, após o elegante lançamento do livro, sorvi um mate amargo ofertado pelo Vítor, que ao lado de seu companheiro, enfeitavam de cordialidade a Benedito Calixto aprovando a vida e as voltas que ela dá.
 E o dia ficou ainda mais lindo, desfrutando da  satisfação da Camille com os brincos de vidro vermelho estilo Mondrian que escolheu em uma banca séria em designer. 

Nos despedimos dos conterrâneos chimarristas de sábado e fomos ao jantarzinho no lar, harmonia do sábado.

Clique no título ou no link para o divertido Guritles do Alegrete, do Jair Kobe:
http://youtu.be/8G3AuaIbbDI


Escritora nigeriana Chimamanda Adichie fala sobre estereotipos:
http://www.ted.com/talks/lang/por_br/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

30 janeiro 2010

Valsa do Minuto

Já lhe aconteceu? De estar tocando piano, lépido e fagueiro,
bem belo, e de repente...bem...clique no título da postagem.

29 janeiro 2010

Convite para o lançamento do Universo Paulistano

     Tenho a honra de convida-lo(a) para o lançamento do livro Universo Paulistano, no qual tenho poema de minha autoria. 
      No Universo Paulistano -Volume ll os autores descrevem cada um a sua São Paulo. Sinopse:    Quando cremos já conhecer todas as ruas, dobramos uma nova esquina. Se dormimos saciados de seus sabores, amanhecemos com renovado apetite. Para cada história contada outra nasce, ecoa em nossos ouvidos e ressoa em nossas almas. Assim é São Paulo! Como qualquer universo, há sempre mais para experimentar. 
     O segundo volume da série UNIVERSO PAULISTANO traz novas esquinas e sabores, descobertos e vividos por escritores apaixonados pela metrópole. 
Data: 30 de janeiro de 2010, das 15 às 19 horas Local: Biblioteca Alceu Amoroso Lima, Rua Henrique Schaumann, 777, Pinheiros, São Paulo, SP

Convite ao Universo Paulistano

Lançamento do Livro Universo Paulistano -ll, pela Andross Editora.
Data: 30/01/2010, das 15h às 19 h Local: Biblioteca Alceu Amoroso de Lima – R. Henrique Schaumann, 777, Pinheiros São Paulo Programação gratuita 15h Mesa-redonda Visões Literárias da Paulicéia Com a Dra. Sonia Sueli Berti-Santos e o escritor Chico Anes, sob mediação do ativista cultural Silvio Alexandre 16h: Leitura dramática de contos e declamações de poemas do livro Universo Paulistano – Volume ll Interpretação de Cristiana Gimenes, da cia Em Cena Ser 17h: Lançamento do livro Universo Paulistano – Volume ll recebendo os convidados para sessão de autógrafos

27 janeiro 2010

Clóvis Campêlo



No século passado, em 1999, em Santa Maria cidade na qual se chega da Região Missioneira passando pela Garganta do Diabo, abismo onde conta o povo, as noivas abandonadas de antigamente, saltavam feito pipoca; em Santa Maria, a que de um lado tem os morros, e do outro os arrozais... Ali, onde as caravanas se encontravam, importante entroncamento ferroviário, onde o Rio Grande do Sul do tempo das tropas de mulas enfervecia, em Santa Maria, a que fica do lado de Mata, a cidadezinha cujas ruas são pavimentadas com árvores fossilizadas, que ninguém deu por conta quando empregou como calçamento, e agora fica assim... tudo pra pisar e analisar, foi nessa Santa Maria que conheci o som do Véio Mangaba, naquela época. enigmático para mim. Um dia – toda história começa assim, com Um dia, essa está no meio, mas que seja, vamos lá que já é madrugada e o Veio Mangaba logo canta, se hoje não estiver preguiçoso e cantar só as onze, no trem do Campêlo, que como todos devem saber, cruza às onze de toda santa quarta-feira. 
Naquele ano de 99, saí da minha exposição no shopping, exaurida de tanta caricatura, época de vestibular era trabalho louco! 
Pensei em relaxar ouvindo alguma música nova - melhor que remédio. 
Meti a mão na prateleira da loja e desentranhei o Véío Mangaba que estava espremido entre Lecir Brandão e Martinho da Villa, mexí assim na reserva do vendedor, um mulatão poucos amigos que não aceitava que eu calçasse o pé no irreverente Véio Mangaba e as Pastoras Endiabradas. 
Uma Rosa na capa e por dentro um batuque bom. O vendedor tentou me convencer a levar o dum lado ou o do outro, mas eu já tinha, tudo o que ele me mostrava – eu tinha! 
Ouvimos juntos o cd no som da loja e como fiz cara de muito gosto e aparentei responsabilidade, me cedeu seu filho único, sua raridade. A percussão daquelas músicas nunca serviu para relaxamento, muito pelo contrário, e que ninguém se iluda, o Véio Mangaba de vez em quando fica meio boca suja, bem profano, como as Pastoras e sempre foi censurado quando alguma tia ou vizinha carrancuda apareceu. Rola daqui, rola dali, nunca mais ouvi falar dele - até ontem - quando recebi a propaganda do programa de rádio do Clóvis Campelo, amigo poeta de Recife que é o maquinista do Trem das Onze, alguns dizem: locutor. 
Conta ele que hoje o programa será sobre o carnaval do Véio Mangaba e as músicas do Bloco Cordas e Retalhos do Carnaval de Recife. Ele diz para não perder, e nem precisava. 
Vão falar também do compositor Bráulio de Castro. 
O programa Trem das Onze começa às 11 horas da manhã, na Rádio Universitária AM 820 KHz. Pela internet, acessem pelo site http://www.ufpe.br/ntvru. O programa é aberto a participação dos ouvintes pelos telefones (81) 21268063 e 21268068, além do e-mail cloviscampelo@yahoo.com.br.
Trem das Onze! Essa viagem é imperdível, aliás, como toda viagem de trem.

25 janeiro 2010

Convite

Lançamento do aguardado CD "TUDO" do Tavito. No Rio de Janeiro e em São Paulo. No Rio com a participação de Marianna Leporacce, e em São Paulo o convidado é o Renato Teixeira (mas que barbaridade, imperdível!). No repertório estarão os clássicos "Casa no Campo" e "Rua Ramalhete", e composições recentes, como:1969 - O Beijo do Tempo". O quê? CD Tavito "TUDO" - Lançamento Nacional, em São Paulo no dia 29 de Janeiro de 2010, às 22:00hs, no Café Paon, que fica na Avenida Pavão, 950 , em Moema. O valor do ingresso é R$ 30,00 e as reservas podem ser feitas pelo telefone(11) 5531.5633 e 5533.5100. E no link, Tavito e Renato Teixeira:
http://www.youtube.com/watch?v=nmmswyflOMk



A Casa

Onde mora a ternura, onde a chuva me alaga, O Tempo Afora!
NeyMatogrosso e Pedro Luiz e a Parede:
http://www.youtube.com/watch?v=YUGNR4WlYh8
E pelo amor de Deus, Como esquecer da Noite Severina?
http://www.youtube.com/watch?v=ClOjAujoUfI

23 janeiro 2010

Poesia

Sim, meu amor, o vento é um cavalo:
http://www.youtube.com/watch?v=4WSjY9jvO7I
Neruda, é claro!

BRASIL!

Na foto:O músico brasileiro Heitor de Pedra Azul, e eu, durante temporada da exposição em Pont Sainte Marie, recepciados na Cave Cooperative Champagne Marquis de Pomereuil - Riceys, França, pelo presidente da Coopertiva Christian e sua esposa Martine, durante execução do Hino Nacional Brasileiro.
Saiu no Financial Times de 29/12/09: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido pelo jornal britânico Financial Times como uma das 50 personalidades que moldaram a última década. Segundo o diário, Lula entrou na lista porque "é o líder mais popular da história do Brasil"." Charme e habilidade política sem dúvida contribuem (para sua popularidade), assim como a baixa inflação e programas de transferência de renda baratos, mas eficientes", diz o jornal.  

Muitos, inclusive o FMI, esperam que o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo até 2020, trazendo uma mudança duradoura na ordem mundial. Vilões: Ainda no campo da política, o FT também destaca como as personalidades mais influentes da década o presidente do Irã, Mahmoud Ahamadinejad; o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; a chanceler alemã Angela Merkel; o ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin; e o presidente da China, Hu Jintao. O jornal selecionou também o que chamou de alguns vilões que acabaram por determinar o curso da história destes últimos dez anos, como o líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e o ex-presidente americano George W. Bush. A lista do FT também inclui personalidades das áreas de negócios, economia e cultura. Muitas delas refletem o crescimento e o fortalecimento da internet e das novas tecnologias, como os empresários Jeff Bezos, da loja virtual Amazon; Meg Whitman, do eBay; Larry Page e Sergey Brin, do Google; Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams, do Twitter; Mark Zuckerberg, do Facebook; e Steve Jobs, da Apple. Outras figuras foram eleitas pelo jornal britânico pelo mérito pessoal de terem se tornado ícones mundiais em suas áreas, como a escritora JK Rowling, autora dos livros do personagem Harry Potter; o jogador de golfe Tiger Woods; a apresentadora americana Oprah Winfrey; o diretor japonês de desenhos animados Hayao Miyazaki; o produtor de TV John De Mol, criador da fórmula do Big Brother; e os astros da música Beyoncé e Jay-Z.
Listas como estas são subjetivas e, de certa maneira, arbitrárias, mas tentamos capturar indivíduos que tiveram um grande impacto no mundo ou em sua região - para o bem ou para o mal, explicou o jornal.

Música

Camille Dalmais - Au port
http://www.youtube.com/watch?v=Y9Od0e17Zjo

22 janeiro 2010

Liberdade

Amolador de faca, faca! Tesoura, tesoura! Ele grita e toca uma flautinha avisando que esta na rua para salvar alicate de unha que mergulhou e quebrou o bico no chão.Pedi para fotografá-lo e abriu o sorriso mais alvo e cheio de dentes que já vi: Nãããão...só se não aparecer a cara.Concordei, deve ser muçulmano ou dalgum destes grupos supersticiosos que não gosta de ser fotografado por medo de ter a alma capturada pela máquina.Cliquei e ele fez questão de certificar-se de que aparecia degolado no visor da câmera. O meu selvagem cão de guerra, vigilante assistia ao impasse. Material vistoriado, liberou para eu postar. Queria gorjeta, me neguei e ameaçei deletar, ele afroxou a negociação. Terminou o trabalho e ficou ótimo. Despediu-se dizendo que volta com um carrinho de amolar que é uma tetéia, que aquele sim, eu vou até implorar para fofografar! Uma relíquia que ele não estava usando naquele dia porque estava na restauração. Então as chuvas chegaram e não apareceu mais.

21 janeiro 2010

Sábado, HQ - História do Brasil


foto: Laudo o ilustrador do lado esquerdo e Edson Rossatto o autor durante a apresentação Eu não sei explicar exatamente porque gostei tanto, mas adivinha?...Vou tentar! Sábado passado aconteceu na biblioteca Viriato Corrêa, que fica na Vila Mariana, o lançamento da História do Brasil em formato de quadrinhos. 
A apresentação do trabalho ao público composto na maioria por estudantes e profissionais da área foi extremamente agradável. 
A equipe que desenvolveu o HQ explanou sobre os métodos usados para a realização desta publicação séria e preocupada com a didática, que foi desenvolvida em três tópicos: 
-Chegada da Família Real
-O Dia do Fico
-Independência 
Foi uma grata surpresa descobrir que os elaboradores do belo trabalho, tão exigentes e carrancudos por e-mail, ao vivo tem outra dinâmica. Assistindo o autor e roteirista da publicação, Edson Rossatto e o ilustrador, Laudo(http://bandamamao.blogspot.com), confessos apreciadores do estudo da História, acompanhando a exibição do material utilizado para a construção dos personagens, os comentários que fizeram sobre o processo de criação, revelações de detalhes pouco conhecidos sobre os vultos históricos, que obtiveram cruzando fontes durante a pesquisa deu para constatar quão minuciosa foi a fase da construção da obra. A equipe frisou o cuidado que teve em estilizar preservando as características dos lugares e personagens, informaram que só a fase da ilustração consumiu sete meses e através da interação no palco deram uma amostra de como foram os bastidores da produção. Deu para admirar e aprender muito. Só não aprendi nada ouvindo o Omar Vinöle, dele, nem uma revelação! 
E quem viver para assisti-lo falar sobre seu método de trabalho haverá de concordar - a palavra sintético foi elaborada inspirada nele. 
Durante sua explanação isso ficou evidente, e seu pragmatismo foi motivo de comentários muito bem humorados. Assim como o fato do Edson Rossatto se comunicar com a equipe produtora por e-mail usando índice de cores, o método foi duramente criticado e ironizado pelo Laudo, que é daltônico, mas mantido pelo Edson, pois método é método e conforme frisou, o Laudo não vê as cores como nós, mas lê muito bem....Após a palestra houve sessão de autógrafos e os autores foram muito bajulados e fotografados. Por mim também, o Omar estava efusivo, até fez uma leve reverência com a cabeça quando lhe elogiei o trabalho! 
Peguei os meus exemplares e fui lendo até o carro. Envolvente desde a apresentação do diretor-editorial, Roberto Araújo:São Histórias de vidas, umas relacionadas às outras com tal intensidade que se tornam histórias de nações. Ao centro dos acontecimentos, reis, rainhas e nobres sintetizam movimentos de povos inteiros. Napoleão Bonaparte queria dominar o mundo, nada mais bacana em histórias em quadrinhos do que alguém querer dominar o mundo. Há, porém, que haver um moçinho, ou melhor, um príncipe para impedir tal plano. Nessa luta o príncipe D. João deixou Portugal para vir ao Brasil e mudou nossa história para todo o sempre.
Entreguei o gibi ao pequeno quando cheguei em casa e ele o devorou, me apressei em lê-lo, pois o micuin entrou numas de entabular papos sobre datas e coisas que só me informando no HQ da grupo para não ser humilhada por um magrelo de oito anos...
Culpa de quem?

La Demeure D'un Ciel

Performance de Camille Dalmais, TV5, Camille?
Super, hiper, clique no link:http://www.youtube.com/watch?v=Dqzv3nVEkeI

20 janeiro 2010

O Pai


Três vezes iniciei este texto e...a calçinha do meu pai?Pois é! A calçinha do meu pai. Sempre fez questão de que meu irmão menor e eu fizéssemos as lições de casa na mesa da cozinha. Momentos agradáveis e inesquecíveis. Se pensava em nos vigiar nas tarefas, conseguiu imprimir uma rotina que me fez entender muito da relação que ele, o pai e minha mãe sempre tiveram. Eu ficava rabiscando e sentindo o movimento da casa, que sempre foi uma casa alegre, sem zumbidos de aflição. Muito dada a monólogos minha casa de infância. Meu pai trabalhava num serviço pesado e sujo, volta e meia chegava da labuta ansioso ao meio dia e tomava banho, trocava a roupa e voltava para se sujar na tarde, mas ao meio dia, barriga cheia e cadernos espalhados sobre a mesa, não uma ou duas vezes ouvi ele discursar sobre a desordem reinante naquela casa onde a pessoa (ele) nunca conseguia saber se a roupa estava para lavar, secando ou para passar, mas era certo que nunca estava guardada no lugar. Afinal, Wil, onde estava? Ele chamava minha mãe Hilda de Wil, e exclamava e indagava sem eco sobre sua calçinha preferida que não estava a mão. Minha mãe, senhora do sítio, com três mil tarefas na agenda diária, nunca parou de fazer o que quer que estivesse a ordenar para procurar pelos trecos que ele haveria de encontrar sozinho, e pelas costas dele ela dizia que já chagava ser escrava das vacas. Sem levantar o olhar dos meus desenhos ouvia a cantilena da calçinha, sem dar importância quando era pequena, pois achava que era normal que homem e mulher usassem a mesma peça de vestuário íntimo, embora vendo no varal as calçinhas do meu pai, não entendesse porque ele usava tão feias e grandes, enquanto minha mãe e eu... bem, isso é história para outro pôr de sol...mas o assunto tornou-se extremamente divertido quando descobri que a tal peça para homens se chamava cueca. Minha mãe, um dia disse:

-Teu pai, acho que é daltônico.

Foi quando eu estava na quarta série e estudávamos este distúrbio ocular, cerebral, na leitura das cores. Dei de cara com ela num meio sorriso dos mais marotos quando levantei o olhar e perguntei por que ela achava. Respondeu:

-Pois não vê o assunto da "calçinha “ dele?!

-Sim, mãe, e porque ele chama assim?

-Não sei, percebo que toda roupa que tem tecido leve ele usa o diminutivo pra designar, então no verão é calçinha e camisinha...Rimos

-Porque não explica à ele que fica horrível.

–Nãão! Deixa ele em paz, iria ficar constrangido. Não faço isso com ele!

Mas meu irmão menor e eu fizemos, e assim usávamos em piadas e causos os termos de nosso pai, ele volta e meia nos surpreendia na chacota de seu linguajar. Um dia tentou ficar bravo e acabou desmontado num sorriso, deixou de chamar a calça de percal de calçinha, mas continua dando o maior trabalho encontrar algo, quando ele insiste em descrever pelas cores, da forma que só ele as enxerga.

Estes são Velociraptors do período Jurássico disfarçados de gansos pós modernos, dançarinos de modinhas de viola que são tocadas por matilhas de músicos vindos de uma era anterior, nos caramanchões do Parque da Àgua Branca em São Paulo. Não?Experimente oferecer pipoca e descobrirá que é um velocista nato, com o grupo ai de cima a grasnar ferozmente atrás de você, bicando seus dedos ou botões. Não, não os violeiros, eles não parecem gulosos e são pacíficos, estou falando dos gansos.

Otzi

Este não é um Ötzi pelo qual Austria e Itália vão brigar, mas é interessante e criado solto no Parque da Àgua Branca, em São Paulo. Chama-se Blogonorius Pintadorium...Não? Então como se chama, sabichão?
Para ver lindas fotos italianas, clique aqui - Titti Biachi:

http://youtu.be/WvndJQGsYa8

16 janeiro 2010

A segunda edição do Prêmio Caiubi(www.clubecaiubi.com.br), tem como homenageado o cantor Zé Rodrix. O Compositor e cantor de grandes sucessos como Casa de Campo, é o único indicado, devido ao grande empenho que teve para o sucesso do Clube. Zé Rodrix faleceu aos 61 anos, em maio de 2009 é o homenageado no Prêmio Caiubi. Sessenta nomes estão na disputa em 12 categorias, no próximo dia 18, às 21h30, no Café Piu Piu.

14 janeiro 2010

Pintura de Brueghel Jan The Elder
Mùsica de hoje: Celtic Woman - A New Journey - You Raise Me Up
http://www.youtube.com/watch?v=faKFcfytlxU
"Você me levanta"
Quando eu estou abatido, oh minha alma tão cansada
Quando preocupações surgem e meu coração fica carregado
Então, eu me acalmo e espero aqui em silêncio
Até você vir e sentar-se por algum tempo comigo.
Você me levanta, de modo que eu posso ficar em pé sobre as montanhas
Você me levanta para andar em mares tempestuosos
Eu sou forte quando estou em seus ombros
Você me levanta, mais do que eu posso ser
Você me levanta, de modo que eu posso ficar em pé sobre as montanhas
Você me levanta para andar em mares tempestuosos
Eu sou forte quando estou em seus ombros
Você me levanta, mais do que eu posso ser
Não há vida – não há vida sem este desejo
Cada batida do coração impaciente, tão imperfeita
Mas quando você chega, eu me surpreendo
Às vezes, eu acho ter vislumbrado a eternidade.

Você me levanta, de modo que eu posso ficar em pé sobre as montanhas



13 janeiro 2010

Zilda Arns

Morreu para este plano e renascerá em outra condição...
Mas e nós? Que justificativas encontramos quando temos que abrir mão da existência exemplar destes espíritos contemporâneos evoluídos que nos deixam prematuramente, não importando a idade que tenham? 
Dia destes fiz esta pergunta a uma mestra em espiritualidade. Conversamos sobre estes eventos naturais e anti naturais(quando obras da insensatez humana), que levam embora vultos de imprescindível importância ao desenvolvimento da rede caritativa no planeta, mesmo quando nós, que tanto gostaríamos de aprender e crescer na iluminação de seus exemplos não queremos acreditar que haja um propósito divino netas ocorrências. 
Continuo chocada com o ato terrorista que em agosto de 2003, em Bagdá, vitimou o diplomata da ONU, Sergio Vieira de Melo, que conforme definiu o jornalista Jonathan Steele do The Guardian, foi “O melhor servidor público do mundo” - um servidor da humanidade
Agora, desolada acompanho o noticiário sobre o terremoto que vitimou Dra Zilda Arns, no Haiti. 
Dra. Zilda, a médica pediatra e sanitarista, a fundadora da Pastoral da Criança, e Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns...
Caminhava pelas ruas de porto Príncipe e durante o abalo foi atingida pelos escombros. O histórico de Dra. Zilda é irrefutável, e talvez seja a única personalidade pública brasileira da atualidade sobre a qual se pode afirmar que nunca houve uma nódoa do tipo que costuma envolver nalgum momento as pessoas públicas. 
Lembro-me que na primeira vez que a vi em um programa de tevê fiquei com o pé atrás com a proposta que ela apresentava para diminuir o índice de mortalidade infantil por desnutrição no país. Foi antes dos anos noventa, e ao vê-la apresentar a multi-mistura, o alimento rico em vitaminas, feito com sementes de melancia e de abóbora e folhas de mandioca e beterraba, pensei que se fosse tão simples, já teria sido feito antes. 
E que importa se ninguém fez antes? 
Dra. Zilda fundou a Pastoral da Criança em 1983 e com o grupo de voluntários começou a distribuir e ensinar a fazer a multi-mistura. 
Em função dos resultados rápidos como é o crescimento de uma criança saudável, o programa e a receita emplacaram e foi só uma das linhas de ação solidária deste grande ser humano que ontem partiu. 
Que muitos outros se apresentem para a batalha da iluminação e solidariedade - a linha de frente foi desfalcada, e talvez seja esse o único consolo ou justificativa para perdas tão sentidas como esta, o de alertar e conclamar os dispostos a honrar a senda que foi aberta.

No Último Segundo do Google, José Serra, governador de São Paulo, diz: "Zilda Arns era uma mulher extraordinária. Movida pela fé cristã, conhecedora do espírito de solidariedade do nosso povo, simbolizava como ninguém o trabalho da Pastoral da Criança, com mais de 150 mil voluntários espalhados em mais de 3,4 mil municípios do Brasil, nas regiões mais pobres, atuando junto às famílias, às gestantes e às criancinhas".
Homenagem a Dra. Zilda:http://www.youtube.com/watch?v=Bmh7d6otGAk

12 janeiro 2010

Centauro Indeciso

Em novembro, durante um encontro do grupo de voluntários de Contação de Histórias que não vou nomear, pois não tenho autorização, ouvi Isac narrando o conto do Centauro Indeciso de Jorge Bucay. Como acontece de vez em quando, naquele momento, não sei se pela entonação da voz, em função do ambiente ou da atmosfera dada pela luz, ou tudo junto, fui transportada pelas palavras dele ao mundo do ser indeciso, de repente eu era ele. 
Não dá para explicar o prazer do momento, eu não consigo. 
É como disse Taiguara, “O encontro é lindo por ser simplesmente encontro. E quem se fecha não se acha, enxerga só a solidão.” 
Eu apreciei ouvir as histórias de todos naquela noite, uma de uma vaca no telhado, contada em rimas pela Marina foi especial, mas não conhecia Isac e a esposa, que estavam afastados do grupo desde antes de eu começar a frequentá-lo, e a vibração do encontro com o Centauro Indeciso me chacoalhou e emocionou. 
Agora leio no manual Educar para solidariedade: Fundamentos filosóficos do voluntariado de Gabriel Perissé, o brilhante conceito de que “Somos chaves uns para os outros. Chaves que abrem portas. Chaves que fecham portas. Um professor pode ser chave para desencadear (abrir cadeados) processos de aprendizagem, descobertas intelectuais, descobertas de caminhos profissionais. Um pai pode ser chave para manter o filho apenas comportado (as portas trancadas). Ou pode ser para o filho uma chave perdida, as portas escancaradas, ou outras portas para sempre emperradas.” 
Quando você me diz que só andei passeando pela França e mostro as fotos que demonstram a trabalheira da exposição, você responde que estou me gabando por ter conseguido. Além de me ferir, se sua intenção é relacionar-se, sinto informar que está usando um pé de cabra ao invés d'alguma chave. 
Mas sigo em frente. 
Mesmo sem dizer: Me desculpe se meu blog lhe parece bobo, mas por favor leia-o e me diga o que acha que devo mudar, antes digo: o meu é assim, pois é assim que sei, você pode fazer um do jeito que sabe e vou querer ver para aprender contigo ou apenas apreciar. 
Um sábio ao qual entreguei algumas chaves, me disse: Acho excelente quando você fala sobre você e o que conhece, como o mundo seria um lugar mais agradável e seguro para se viver se as pessoas falassem mais sobre o que sabem por experiência, e deixassem um pouco de lado subir sobre os bancos que outros construíram para gritar verdades que não são suas. 
Schopenhauer também fala isso na A arte de Escrever, mas não sei se dá para levar ao pé da letra o radicalismo de Schopenhauer, embora dê vontade, pois é vibrante e nada medroso. Mas voltando ao Centauro Indeciso, em dezembro, no encerramento do ano dos Contadores de Histórias, pedi ao Isac que repetisse o Centauro Indeciso, e novamente a porta se abriu com as chaves do conto. Depois me perguntaram porque eu gosto tanto, e a minha verdade é que não sei explicar. 
Também não sei se serei aceita no grupo de contadores, mas os momentos que tive de convivência com a rotina deles, as histórias que contaram me mostraram que caminho quero seguir. É bom, uai! 
Amar a vida e tudo o que vem embrulhado nela e ter entusiasmo em descobrir e avançar me parece ser melhor do que pedir desculpas por existir.

11 janeiro 2010

Lenora


Parecia tarde, tarde...muito tarde, mas coelhinha da Alice (quase tartaruga atrasada), consegui chegar a tempo de ver a exposição da artista plástica Lenora Porto Telles Pires, na Parque Avenida Galeria de Arte, neste dia 08 de Janeiro. Último momento para conhecer o trabalho Transmutações da artista pessoalmente, a exposição se encerrava naquele dia. Ultimamente, é botar o pé para fora da casa e começa chover, mas se não sair, chove igual, ninguém mais se importa com cabelo úmido. E todos dizem: "Acho que levo a chuva para onde vou"...pois sim! Desci na Paulista como se tivesse saído do banho de recém e ainda cheirasse a sabonete - hei! Eu havia saído do banho de recém. A feiosa moda de usar galochas de borracha passou? Mas justo agora que mais precisamos dela? Na galeria movimentada e secamente acolhedora, a vibrante e equilibrada exposição aquecia o n°1776 da Av. Paulista. Não é mentirinha, eu usava esse sobre-tudo da foto ai, não é foto do inverno não, minha gente! Transmutações l e ll, as telas de Lenora, trabalho leve, elegante e denotando a caminhante adiantada na evolução espiritual. O que é perceptível através das palavras escritas da autora, e que confirma-se agradavelmente na apreciação do seu trabalho ao vivo. Lenora é muito bem sucedida ao representar na mídia que escolheu, a interação espiritualidade/matéria. Saudações à Lenora!

09 janeiro 2010

Certezas

O Quim, o Zé e o Joca trabalhavam numa obra. De repente, o Quim caiu do 15º andar e morreu.O Zé disse: - Um de nós tem que avisar a mulher dele...Ao que o Joca respondeu: - Eu sou bastante bom nessas coisas, eu vou! Passada uma hora, o Joca estava de volta, com um engradado de cerveja. O Zé perguntou: - Onde arranjou isso? - Foi a viúva do Quim que me deu. - Como é? Você diz que o marido dela morreu e ela te dá uma caixa de cerveja? - Não foi bem assim.. Quando ela abriu a porta, eu disse: - Você deve ser a viúva do Quim. Ela respondeu: - Não, eu não sou viúva! E eu disse: - Quer apostar um engradado de cerveja comigo?

08 janeiro 2010

Normose


Uma doença chamada "normalidade" - texto do Professor Hermógenes ¹
O mundo "normal" nos atrai.
Enquanto atrai nos distrai.
E porque nos distrai nos trai.
Se nos deixamos trair, ele nos destrói.
É hora de despertar!
Sinceramente eu digo: "Deus me livre de ser normal".Desde que comecei a caminhar no Yoga venho conseguindo manter uma bendita e invejável "anormalidade". Eu já fui "normal" e não tenho saudades. Venho estendendo meu convite a todos para que comecem a sua "desnormalização". E este meu convite é uma expressão de amor ao homo sapiens, à minha espécie. Será absurdo clamar aos homens e mulheres desta sacrificada, caótica, amoral, violenta, injusta, vazia, entediada, poluída, cruel, amalucada e decadente sociedade em que vivemos que tomem consciência, e não mais continuem a submeter-se inconscientemente a esta lógica, obsedante e patológica "normalidade"? Será estranho o meu clamor aos acomodados ou rendidos que se rebelem e se libertem? Será mesmo descabido a proposta de uma terapia que pretenda curar esta doença que vem sendo chamada "normalidade"?
O homem "normal" é um doente!
Quando se diz "em terra de cego quem tem um olho é rei", está se dizendo que a cegueira é o "normal". Nesse caso, o "anormal", aquele que vê, é bastante melhor, tanto que pode ser o "rei". Há décadas, o Papa Paulo VI diagnosticou a sociedade de seu tempo, dizendo: "O mundo está doente." Você contesta? Ou constata?Considerando somente as aparências, isto é, aquilo que a mídia (imprensa, rádio e TV) fez aparecer, o mundo parece estar em acelerada degradação, parecendo um filme de terror, escorregando para a tragédia. Visando vender para os "normóticos", para a massa ignorante, desprovida de discernimento - e, sem dúvida, padecendo de acentuado distúrbio sadomasoquista, que se deleita no consumo de notícias mórbidas, de sujeira, crueldade e pavor -, os grandes veículos se aprimoram em acentuar as tintas negras, os sintomas alarmantes, ao dar publicidade predominante ao lado enfermiço da humanidade. E não é somente a imprensa que vende tais aspectos e componentes trágicos, doentes e poluídos da sociedade humana; a sub-arte também. Cinema, fitas de vídeo, novelas, casas de espetáculo exageram os aspectos chocantes, aberrantes, teratológicos (estudo das monstruosidades), mórbidos, poluentes e sórdidos das vidas de homens e mulheres. Os teóricos argumentam que isto é a realidade e é assim que deve ser mostrada. O que é assim não é a realidade, mas apenas um setor da sociedade, aquele que alguns irresponsavelmente acham de vitrinizar. Alguma parte da sociedade é de gente boa, equilibrada, sadia, espiritualmente nobre e bonita, mas alguns obsessivamente fazem questão de ignorar. Quantas pessoas e instituições sociais, mantendo-se com enormes sacrifícios, se devotam à prestação de generoso serviço, a distribuir caridade, a cultivar espiritualidade, a manifestar amor, a anunciar a luz, a propor a paz...?
Um diagnóstico correto não pode ser parcial.
Tudo que existe é assim com seus dois pólos. No entanto, enquanto os abutres só conseguem se interessar pela carniça, as abelhas são atraídas somente pela beleza, doçura e fragrância das flores. Aos que não vêem a não ser o lado mórbido das coisas, um convite: dialoguem com as abelhas. A sociedade está doente pela hipertrofia de seu lado abutre com simultânea atrofia de seu lado abelha. Há treva e luz, e não somente treva. Há ódio. Por que não o amor? Há violência, mas também há caridade. Há corrupção, mas honestidade não falta.
Por que somente o diagnóstico negro?
A maioria imensa da humanidade é formada pelos "normóticos", que desfrutam o tempo e o espaço cultural, e aí está a doença. A minoria dos curados de uma enfermidade chamada "normose" não pode continuar sendo esquecida. É verdade que a humanidade está enferma, e está exatamente pelo predomínio e pela ação dos medíocres e ignorantes que a forma. É inadiável curar a "normose" da humanidade. E isto deve começar pela "desnormalização" de cada pessoa, o que requer, indispensavelmente, empenho e esforço pessoal depois de feita a opção por uma disciplina inteligente, por uma vigilância contínua e por jubiloso auto-sacrifício do ego no altar do Divino. De minhas observações durante tanto tempo, fiz levantamentos dos sintomas que, com maior freqüência, os "normóticos" apresentam. A lista não é completa e nem um "normótico" qualquer tem de ter os sintomas todos. Não pretendo que este inventário seja perfeito. Quando alguém conseguir inventar um "normômetro" (aparelho capaz de medir a "normalidade" de uma pessoa), prestará um serviço inapreciável à Medicina Holística, para diagnosticar a "normose". Os "normóticos" têm reduzidas a juventude e a vida. As doenças degenerativas se apressam a se manifestarem antes do tempo. E ainda é motivado por distresse. Desprovido de um motivo, alto, sublime e nobre para viver, desde que seus objetivos são mesquinhos e imediatistas, o "normótico" desconhece o que seja equanimidade, sobriedade, serenidade e paz. São fáceis vitimas dos opostos-de-existência. Oscilam, indefesos e inconscientes, como folhas ao vento, sem repouso e sem destino. Numa hora, festejam ruidosa e às vezes alcoolicamente uma fugaz vitória ou uma aquisição furtiva. Noutra, se deprimem e lamentam, quando alcançados por um imposto despojamento de algo que não resistiria ao tempo. A "normalidade" dominante ensinou o "normótico" a lutar até exaurir-se e a usar todos os meios (até, quando preciso, os sujos) na convicção pouco inteligente de "ganhar ou... ganhar. Eles repelem a abnegação, a renúncia, a aceitação do inevitável.
Desconhecendo o por que e para que viver, o "normótico", é uma carta depositada no correio, na qual falta indicação do destinatário e do remetente. É uma carta que foi escrita inutilmente. Seu destino só pode ser a posta-restante.Vivendo na superfície de si mesmo, o "normótico" age sob motivações que, em alguns casos, são bem tipicamente animais: comer, beber, defender-se, gozar e transar. Não cultiva valores tipicamente humanos: verdade (ou veracidade); retidão; paz; amor (universal e puro); e não-violência. Sai Baba disse que a constatação "eu sou um ser humano" é apenas a metade da verdade. A outra metade é poder dizer: "eu não sou um animal". O "normótico" é um consumista obsessivo. Compra o de que precisa e ainda mais, o inútil. O que ele não pode é resistir às manobras da publicidade e do marketing. Ele sofre da síndrome de "aquisitite". Para seguir comprando, comprando, gasta e se desgasta ansiosamente, obsessivamente.Com a palavra "mesmismo" Erich Fromm denominou o fenômeno de cada um precisar se parecer com o outro. O "normótico" calça os mesmos tênis, veste as mesmas calças, bebe os mesmos refrigerantes, fuma as mesmas marcas, se fanatiza pelos mesmos ídolos populares, curte as mesmas músicas, demonstra, com isto, que sua segurança está em "enturmar-se"; falta-lhe a salvadora coragem de ser diferente. Quanto mais "normótico", mais submisso à moda. Esta tendência a entregar-se indefeso e inconsciente à robotização orquestrada pela propaganda massifica-o, esvazia-o. E é ainda pior quando se fanatiza por movimentos, líderes, seitas, seitas ditos religiosos. Porque nem imagina quanto o amor e a felicidade nos completam, o "normótico" confunde os simples desvarios sensuais com ser feliz. E o sentimento de posse do outro e o ciúme, que são apego-dependência, ele confunde com amor.Na ânsia por uma mal-entendida liberdade, certos "normóticos" neuróticos confundem o ser feliz com o ser devasso, "assumido", "liberado", e se sentem à vontade em "curtir um barato", embora depois recaiam trágicas conseqüências sobre ele: escravidão ao traficante, AIDS, demência. Ao que não sabe o que é a verdadeira liberdade, eu lembraria que é a capacidade de não fazer aquilo que não se quer ou que se precisa não fazer. Não é o fazer aquilo que se deseja fazer. Muitos jovens, confundindo a liberdade com outra coisa, às vezes rompem com violência seus vínculos com o lar, e se entregam a uma aventura, que, a principio, pode até ser uma aventura, mas inevitavelmente acaba em desventura. Há uma forma "normóide" de exercer poder político, econômico e social, na qual o "normótico" sempre tira proveito pessoal, indiferente à dor, à miséria, à injustiça que impõe a multidões de infelizes. Calígulas e Neros de gravata, os "normóticos" poderosos são pragas a fazer muitas vítimas. Toda a minha literatura tem sido voltada para alertar os "normóticos", convidando-os para dar uma guinada no rumo da verdadeira paz, do amor bem-aventurado, no rumo da sabedoria que liberta, da saúde, da alegria pura, finalmente da vida abundante.

Para ver o vídeo A Nossa Casa com Arnaldo Antunes, clique no título da postagem:

01 janeiro 2010

Reveillon



Acendi umas velas e coisa e tal. Bons fluidos para o 2010 e tal e coisa, e extenuada de tanto desejar, caí na cama, os dois se jogaram, cada um num braço e ela contou seus desejos dos quinze anos, ele falou das suas certezas dos oito. A janela aberta mostrou brilhos enlouquecedores. O 2010 chegava salpicando o céu com todas as cores - explosivas estrelinhas de papel laminado em frente ao Habib’s da Cerro Corá. Paramos de brincar que a cama era a jangada de Medusa cercada de tubarões, que se o naufrágio perdurasse teríamos que nos comer uns aos outros. Ela começaria por um ombro, ele pela parte acima dos meus cotovelos. Esta visto que cada um pegaria o pedaço que estivesse mais próximo. Mas por ser aquela, uma brincadeira enjoativa depois do jantar, largamos dela e entramos no carro para perseguir os fogos, quanto mais andamos, menos encontramos - justo! Nos afastávamos do núcleo, da borda, da virada e já entráramos pelas ruas do ano novo. Ele abriu os vidros e com a cabeça para fora gritava bendições aos gatos pingados de garoa, ela reclinou o banco para não ser descrita - irremediavelmente infantil, se ainda agora tivera competência de preparar o último Yakissoba do ano. Zonzos pela uva concentrada de Bento Gonçalves, circulamos a árvore do Ibirapuera. A lembrança da exposição do Rodin, visitada ontem, brotando pelas orelhas...Ô soninho bom, ô chuvinha acertada para germinar semeaduras!