14 julho 2011

De Einstein para Freud -1

                                                                   
Caputh junto a Potsdam, 30 de julho de 1932


Prezado professor Freud,

 A proposta da Liga das Nações e de seu Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual, em Paris, de que eu convidasse uma pessoa, de minha própria escolha, para um franco intercâmbio de pontos de vista sobre algum problema que eu poderia selecionar, oferece-me excelente oportunidade de confereciar com o senhor a respeito de uma questão que, da maneira como as coisas estão, parece ser o mais urgente de todos os problemas que a civilização tem de enfrentar. Este é o problema: Existe alguma forma de livrar a humanidade da amaeaça da guerra? É do conhecimento geral que, com o progresso da ciência de nossos dias, esse tema adquiriu significação de assunto de vida ou morte para a civiliazação, tal como a conhecemos, não obstante, apesar de todo o empenho demosntrado, todas as tentativas de solucioná-lo terminaram em lamentável fracasso.
Ademais, acredito que aqueles cujas atribuição é atacar o problema de forma profissional e prática, estão apenas adquirindo crescente consciência de sua impotência para abordá-lo, e agora possuem um vivo desejo de conhecer os pontos de vistas de homens que, absorvidos na busca da ciência, podem mirar os problemas do mundo da perspectiva que a disntância permite. quanto a mim, o objetivo habitual de meu pensamento não me permite uma compreenssão interna das obscuras regiões da vontade e do sentimento humano. assim, na indagação ora proposta, posso fazer pouco mais que esclarecer a questão em referênciae, prepaprando o terreno das soluções mais óbvias, possibilitar que o senhor proporcione a elucidação do problema mediante o auxílio do seu profundo conhecimento da vida instintiva do homens. Existem determinados obstáculos pasicológicos cuja existência um leigo em ciências mentais pode obscuramente entrever, cujas inter-relações e filigranas ele, contudo, é incompetente para compreender; estou convencido que o senhor sera capaz de sugeriri métodos educacionais situados mais ou menos fora dos objetivos da política, os quais eliminarão esses obstáculos.
Como pessoa isenta de preconceitos nacionalistas, pessoalmente vejo uma forma simples de abrodar o aspecto superficial (isto é, administrativo do problema: a instituição, por meio de acordo internacional, de um organismo legislativo e judiciário para arbitrar todo conflitto que surja entre nações. Cada nação submeter-se-ia à obediência às ordens emanandas desse organismo legislativo, a recorrer às suas decisões em todos os litígios, e aceitar irrestritamente suas decisões e a pôr em prática todas as medidas que o tribunal considerasse necessárias para a execução de seus decretos. Já de início, todavia, defronto-me com uma dificuldade; um tribunal é uma instituição humana que,  em realação ao poder a que se dispõe, é inadequada para fazer cumprir seus veredictos, está muito sujeito a ver suas decisões anuladas por pressões extrajudiciais. este é um fato com que temos que contar; a lei e o poder inevitavelmente andam de mãos dadas, e as decisões juridicas se aproximam mais da justiça ideal exigida pela comunidade (em cujo nome e em cujos interesses esses veredictos são pronunciados), na medida em que a comunidade tem efetivamente o poder de impor o respeito aos seu ideal jurídico. 
Atualmente, porém, estamos longe de possuir qualquer organização supranacional competente para emitir julgamentos de autoridade incontestável e garantir absoluto acatamento à execução de seus veredictos. Assim, sou levado ao meu primeiro princípio; a busca da segurança internacional envolve a renúncia incondicional, por todas as nações, em determinada medida, à sua liberdade de ação, ou seja, a sua soberania, e é absolutamente evidente que nenhum outro caminho pode conduzir a essa segurança.
O insucesso, malgrado sua evidente sinceridade, de todos os esforços, durante a última década, no sentido de alcançar essa meta, não deixa lugar a dúvida de que estão em jogo fatores psicológicos de peso que paralisam tais esforços. alguns desses fatores são mais fáceis de detectar. O intenso desejo de poder, que caracteriza a classe governante em cada nação, é hostil a qualquer limitação de sua soberania nacional. Essa fome de poder político está acostumada a medrar nas atividades, de um outro grupo, cujas aspirações são de caráter econômico, puramente mercenário. Refiro-me especialemente a esse grupo reduzido, porém decidido, existente em cada nação, composto de indivíduos que, indiferentes às condições e aos controles sociais, consideram a guerra, a fabricação e venda de armas simplesmente como uma oportunidade de expandir seus interesses pessoais e ampliar sua autoridade pessoal.
O reconhecimento deste fato, no entanto, é simplesmente o primeiro passo para uma situação da situação atual. Logo surge uma outra questão, como é possível a essa pequena súcia dobrar a vontade da maioria, que se resigna a perder e a sofrer com uma situação de guerra, a serviço da ambição de poucos? (Ao falar em maioria, não excluo os soldados, de todas as graduações, que escolheram a guerra como profissão, na crença de que estejam servindo à defesa dos mais altos interesses de sua raça e que o ataque seja, muitas vvezes, o melhor meio de defesa.) Parece que uma resposta óbvia a essa pergunta seria que a minoria, a classe dominante atual, possui as escolas, a imprensa e, geralmente também a Igreja, sob seu poderio. Isso possibilita organizar e dominar as emoções das massas e torná-las instrumento da mesma minoria.
Ainda assim, sequer essa resposta proporciona uma solução completa. Daí surge uma nova questão: como esses mecanismos conseguem tão bem despertar nos homens um entusiasmo extremado, a ponto de sacrificarem suas vidas? Pode haver apenas uma resposta. É porque o homem encerra dentro de si um desejo de ódio e destruição. Em tempos normais, essa paixão existe em estado latente, emerge apénas em circunstâncias anormais; é, contudo, relativamente fácil despertá-la e elevá-la à potência de psicose coletiva. Talvez ai esteja o ponto crucial de todo o complexo de fatores que estamos considerando, um enigma que só um especialista na ciência dos instintos humanos pode resolver. 
Com isso chegamos à nossa última questão. é posssível controlar a evolução da mente do homem, de modo a troná-la à prova das psicoses do ódio e da destrutividade?
Aqui não me estou referindo tão-somente às chamadas massas incultas, a experiência prova que é, antes, a chamada "Intelligetzia" a mais inclinada a ceder a essas desastrosas sugestões coletivas, de vez que o intelectual não tem contato direto com o lado rude da vida, mas as encontra em suas formas sintéticas mais fácil -na página impressa.
Para concluir: Até aqui somente falei das guerras entre nações, aquelas que se conhecem como conflitos internacionais. Estou, porém, bem consciente de que o instinto agressivo opera sob outras formas e em outras circusntâncias. (Penso nas guerras civis, por exemplo, devidas à intolerância religiosa, em tempos precedentes, hoje em dia, contudo, devidas a fatores sociais; ademais, também nas perseguições a minorias raciais.) Foi deliberada a minha insistência naquilo que é a mais tipica, mais curel e extravagante forma de conflito entre homem e homem, pois aqui temos a melhor ocasião de descobrir maneiras e meios de tornar impossível qualquer conflito armado. 
Sei que nos escritos do senhor podemos encontrar respostas, explícitas ou implicitas, a todos os aspectos desse problema urgente e absorvente. Mas seria da maior utilidade para nós todos que o senhor apresentasse o problema da paz mundial sob o enfoque das suas mais recentes descobertas, pois uma tal apresentação bem poderia demarcar o caminho para novos e frutíferos métodos de ação.
Muito cordialmente,

A. Einstein

E clicando no título da postagem...Einstein!

Um comentário:

Hermenêuticas de Lou disse...

Muito agradável seu blog! Conteúdo extenso e cheio de informações valiosas e inteligentes. Meu abraço. Já estou seguindo-te com muito carinho. Lou Moonrise. Visite-me também.... http://hermeneuticasdelou.blogspot.com/